terça-feira, 30 de outubro de 2012

A vocação da donzela - parte 5, última parte




5° Como conhecer a própria vocação.

É este um negócio capital, para o qual toda atenção é pouca.

Porque, quantas imprudências sobre este ponto! Quantas pessoas que entram como cegas num gênero de vida sem se perguntarem se ele corresponde bem a seu destino! Como é insensato seguir inspirações humanas numa obra divina!

Essas imprudências transviam a alma para longe da sua predestinação; lançam-na em deveres para os quais ela não era feita e afastam-na da senda em que a graça de Deus a esperava.

Importa, pois, sumamente conhecer a própria vocação, pois a coisa é muito grave.

Ora, nas coisas graves da vida, não se deve fazer nada sem pedir conselho. A respeito da vossa vocação, para saberdes tomar com conhecimento de causa uma decisão de que dependerá a vossa felicidade nesta vida e na outra, deveis consultar a Deus, ao vosso confessor e a vós mesma.

a) Consultai a Deus. – Derrubado no caminho de Damasco, S. Paulo exclamava: “Senhor, que quereis que eu faça? Tal deve ser a vossa oração, pois raras são as vocações manifestas; as mais das vezes Deus nos deixa o cuidado e a honra de procurar a nossa trilha.

Quando, no meio dos desertos, amontoando as areias, o vento faz desaparecer o caminho, que faz o viajador? Levanta os olhos, interroga o céu, procura o seu caminho por entre as estrelas. Fazei como ele: procurai o vosso caminho nos céus. Há lá em cima, alguém que vo-lo pode mostrar.

b) Consultai o vosso confessor. – Não qualquer um confessor, mas, ordinariamente, aquele ao qual vos dirigis habitualmente, que vos segui desde a vossa infância e que conhece os vossos defeitos, os vossos predicados, os vossos gostos, a vossa família. Ele esta em melhores condições do que qualquer outro para vos dar conselhos prudentes e desinteressados. Abri-lhe bem toda a vossa alma, dizei-lhe os vossos atrativos, inclinações, dificuldades, tudo o que sabeis de vós, quer para bem, quer para mal.

E, quando tiverdes falado, esperai, deixai-o refletir. Durante esse tempo pedi a Deus que o esclareça e vos responda pela boca dele.

Suponho que o vosso confessor é um homem de Deus, versado nos seus caminhos, esclarecido, sobrenatural nas suas vistas, liberto de qualquer “parti-pris” e de qualquer consideração humana.

No caso, mais raro, em que tivésseis razões para duvidar a este respeito, conviria submeterdes vossas aspirações a um juiz seguramente competente e desinteressado, por exemplo por ocasião de um retiro. Não esqueçais, todavia, que o papel do confessor é de vos ajudar com seus conselhos e sua experiência, e não de vos impor uma decisão. O hábito das almas, o conhecimento dos caminhos de Deus, os olhares que ele pode mergulhar até o fundo da vossa consciência, tudo isso auxilia-o enormemente e dá um peso imenso aos seus conselhos. Mas, dele, não exijas mais.

c) Consultai a vós mesma. – Refleti!... Estudai vossa alma, vosso coração, vossos gostos, vossas inclinações; examinai vossos atrativos e repugnâncias; perguntai-vos se tendes, quer no tocante ao corpo, quer no tocante à alma, o que vos é preciso para entrardes na vocação que vos atrai. Em linha de conta devem entrar antes de tudo as vossas aptidões físicas e morais, porquanto, de onde quer que venha, a inaptidão para uma vocação exclui por si mesma toda probabilidade de chamado divino.

Às vezes tereis vantagem em consultar vossos pais ou mesmo pessoas que podem ajudar-vos a conhecer a vós mesma; mas não julgueis segundo os princípios do mundo. Iluminai-vos com as luzes da fé e, cercada de todos esses meios de certeza, decidi-vos.

Fazei também a vós estas perguntas:

- Quem é que me chama? É Deus? É a minha vaidade? É o desejo de brilhar, de me fazer notar, de ter uma posição no mundo, de imitar tal companheira?

- Que quereria eu ter feito na minha última hora? O pensamento da morte ilumina dura e cruamente a vida, mas à sua luz a gente se arrisca menos a enganar-se. Com semelhante “refletor” vê-se claro, vê-se longe, vê-se justo.

- Que aconselharia eu a uma amiga que estivesse na minha situação e viesse consultar-me?

- Que razões verdadeiras tenho para me inclinar para tal vocação antes que para tal outra?

d) Quando a dúvida persiste. – Aqui é preciso assinalar certos casos que podem apresentar-se, penosos, angustiosos. Almas a quem a noite circunda ou a quem a dúvida atenaza, aí acharão talvez luzes ou consolações.

1° Tendes tanta inclinação por um estado quanto por outro; na balança tudo se nivela de tal arte, que já não sabeis que partido tomar. Então deveis continuar a rezar; aguardar acontecimentos, uma resposta, um sinal que trace a vossa trilha; deveis ainda recolher-vos, e decidir-vos pelo partido que vos parecer aproximar-vos mais de Deus.

2° Após uma decisão seriamente tomada, após diligências feitas para entrar em religião, a pessoa não pode conseguí-lo. É o caso daquelas que acreditaram ouvir o chamado de Deus, que trataram de responder-lhe, mas a quem não quiseram receber. Ou por inaptidão, ou por dificuldades que elas não tinham previsto, o seu belo sonho rui no momento em que elas iam começar a vivê-lo!...

Às vezes também, a pessoas inicia-se na vida religiosa, enceta o postulado, o noviciado mesmo, e surge um impedimento que tira toda a esperança.

Que fazer então? Pôr-se a vagar solitária e amargurada? Arrastar uma vida inútil? Não. Deus vos chamava às doces alegrias do devotamento? Devotai-vos no século. Essa imolação de um desejo que, por mais irrealizável que seja, só morrerá convosco, contribuirá poderosamente para a vossa satisfação. A virgindade no mundo (como veremos mais adiante) também é uma vocação. Por que então considerá-la como a “míngua de melhor”?

O que importa antes de tudo é uma decisão irrevogável que vos coloque redondamente em face do futuro que se abre diante de vós.

3° As que esperam. A moça não procura o noivo, “espera” que a venham pedir em casamento. E as há que “esperam” muitos anos... O tempo se alonga, as moças se... prolongam... A mocidade se escoa, e, quando chegam as neves da velhice, elas ainda esperam.

Seja como for, quer a “espera” redunde no casamento ou... na decepção, há aí um período a passar; e esse período é crítico. Vós não estais na terra “para vos casardes”, mas para ir para o Céu. Assim sendo, por que vos preocupardes tanto com aquilo que não passa de uma “forma”? Deus escolhe seus caminhos e seus meios próprios. Quando se compreendem bem estas coisas, fica-se entusiasta mesmo assim; a gente se dá todo a Deus Nosso Senhor para seguir a sua vontade presente, até o dia, próximo ou remoto, em que uma nova senha nos for dada.


livro: A formação da donzela- padre José Baeteman
Parte V

A vocação da donzela
Capítulo I

Em Jesus e Maria,
Débora Cristina

Um comentário:

  1. Parabéns pelo blog
    Jesus já levou sobre si na cruz do calvário todas as nossas doenças, acredite sem duvidar no coração.
    Nunca deixe de procurar os médicos nem de fazer os tratamentos indicados pelos médicos, Deus nos cura de diversas formas, usando os médicos ( foi Ele que os constitui na terra para nos ajudar), ou por cura milagrosa. Devemos declarar a palavra de Deus, pois ela não volta vazia. Recebamos a cura que Jesus já nos deu.
    "Ele é o que perdoa todas as tuas iniqüidades, que sara todas as tuas enfermidades. Salmos 103:3
    “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
    Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” Isaías 53:4-5
    "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3:16"

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