terça-feira, 30 de outubro de 2012

A vocação da donzela - parte 5, última parte




5° Como conhecer a própria vocação.

É este um negócio capital, para o qual toda atenção é pouca.

Porque, quantas imprudências sobre este ponto! Quantas pessoas que entram como cegas num gênero de vida sem se perguntarem se ele corresponde bem a seu destino! Como é insensato seguir inspirações humanas numa obra divina!

Essas imprudências transviam a alma para longe da sua predestinação; lançam-na em deveres para os quais ela não era feita e afastam-na da senda em que a graça de Deus a esperava.

Importa, pois, sumamente conhecer a própria vocação, pois a coisa é muito grave.

Ora, nas coisas graves da vida, não se deve fazer nada sem pedir conselho. A respeito da vossa vocação, para saberdes tomar com conhecimento de causa uma decisão de que dependerá a vossa felicidade nesta vida e na outra, deveis consultar a Deus, ao vosso confessor e a vós mesma.

a) Consultai a Deus. – Derrubado no caminho de Damasco, S. Paulo exclamava: “Senhor, que quereis que eu faça? Tal deve ser a vossa oração, pois raras são as vocações manifestas; as mais das vezes Deus nos deixa o cuidado e a honra de procurar a nossa trilha.

Quando, no meio dos desertos, amontoando as areias, o vento faz desaparecer o caminho, que faz o viajador? Levanta os olhos, interroga o céu, procura o seu caminho por entre as estrelas. Fazei como ele: procurai o vosso caminho nos céus. Há lá em cima, alguém que vo-lo pode mostrar.

b) Consultai o vosso confessor. – Não qualquer um confessor, mas, ordinariamente, aquele ao qual vos dirigis habitualmente, que vos segui desde a vossa infância e que conhece os vossos defeitos, os vossos predicados, os vossos gostos, a vossa família. Ele esta em melhores condições do que qualquer outro para vos dar conselhos prudentes e desinteressados. Abri-lhe bem toda a vossa alma, dizei-lhe os vossos atrativos, inclinações, dificuldades, tudo o que sabeis de vós, quer para bem, quer para mal.

E, quando tiverdes falado, esperai, deixai-o refletir. Durante esse tempo pedi a Deus que o esclareça e vos responda pela boca dele.

Suponho que o vosso confessor é um homem de Deus, versado nos seus caminhos, esclarecido, sobrenatural nas suas vistas, liberto de qualquer “parti-pris” e de qualquer consideração humana.

No caso, mais raro, em que tivésseis razões para duvidar a este respeito, conviria submeterdes vossas aspirações a um juiz seguramente competente e desinteressado, por exemplo por ocasião de um retiro. Não esqueçais, todavia, que o papel do confessor é de vos ajudar com seus conselhos e sua experiência, e não de vos impor uma decisão. O hábito das almas, o conhecimento dos caminhos de Deus, os olhares que ele pode mergulhar até o fundo da vossa consciência, tudo isso auxilia-o enormemente e dá um peso imenso aos seus conselhos. Mas, dele, não exijas mais.

c) Consultai a vós mesma. – Refleti!... Estudai vossa alma, vosso coração, vossos gostos, vossas inclinações; examinai vossos atrativos e repugnâncias; perguntai-vos se tendes, quer no tocante ao corpo, quer no tocante à alma, o que vos é preciso para entrardes na vocação que vos atrai. Em linha de conta devem entrar antes de tudo as vossas aptidões físicas e morais, porquanto, de onde quer que venha, a inaptidão para uma vocação exclui por si mesma toda probabilidade de chamado divino.

Às vezes tereis vantagem em consultar vossos pais ou mesmo pessoas que podem ajudar-vos a conhecer a vós mesma; mas não julgueis segundo os princípios do mundo. Iluminai-vos com as luzes da fé e, cercada de todos esses meios de certeza, decidi-vos.

Fazei também a vós estas perguntas:

- Quem é que me chama? É Deus? É a minha vaidade? É o desejo de brilhar, de me fazer notar, de ter uma posição no mundo, de imitar tal companheira?

- Que quereria eu ter feito na minha última hora? O pensamento da morte ilumina dura e cruamente a vida, mas à sua luz a gente se arrisca menos a enganar-se. Com semelhante “refletor” vê-se claro, vê-se longe, vê-se justo.

- Que aconselharia eu a uma amiga que estivesse na minha situação e viesse consultar-me?

- Que razões verdadeiras tenho para me inclinar para tal vocação antes que para tal outra?

d) Quando a dúvida persiste. – Aqui é preciso assinalar certos casos que podem apresentar-se, penosos, angustiosos. Almas a quem a noite circunda ou a quem a dúvida atenaza, aí acharão talvez luzes ou consolações.

1° Tendes tanta inclinação por um estado quanto por outro; na balança tudo se nivela de tal arte, que já não sabeis que partido tomar. Então deveis continuar a rezar; aguardar acontecimentos, uma resposta, um sinal que trace a vossa trilha; deveis ainda recolher-vos, e decidir-vos pelo partido que vos parecer aproximar-vos mais de Deus.

2° Após uma decisão seriamente tomada, após diligências feitas para entrar em religião, a pessoa não pode conseguí-lo. É o caso daquelas que acreditaram ouvir o chamado de Deus, que trataram de responder-lhe, mas a quem não quiseram receber. Ou por inaptidão, ou por dificuldades que elas não tinham previsto, o seu belo sonho rui no momento em que elas iam começar a vivê-lo!...

Às vezes também, a pessoas inicia-se na vida religiosa, enceta o postulado, o noviciado mesmo, e surge um impedimento que tira toda a esperança.

Que fazer então? Pôr-se a vagar solitária e amargurada? Arrastar uma vida inútil? Não. Deus vos chamava às doces alegrias do devotamento? Devotai-vos no século. Essa imolação de um desejo que, por mais irrealizável que seja, só morrerá convosco, contribuirá poderosamente para a vossa satisfação. A virgindade no mundo (como veremos mais adiante) também é uma vocação. Por que então considerá-la como a “míngua de melhor”?

O que importa antes de tudo é uma decisão irrevogável que vos coloque redondamente em face do futuro que se abre diante de vós.

3° As que esperam. A moça não procura o noivo, “espera” que a venham pedir em casamento. E as há que “esperam” muitos anos... O tempo se alonga, as moças se... prolongam... A mocidade se escoa, e, quando chegam as neves da velhice, elas ainda esperam.

Seja como for, quer a “espera” redunde no casamento ou... na decepção, há aí um período a passar; e esse período é crítico. Vós não estais na terra “para vos casardes”, mas para ir para o Céu. Assim sendo, por que vos preocupardes tanto com aquilo que não passa de uma “forma”? Deus escolhe seus caminhos e seus meios próprios. Quando se compreendem bem estas coisas, fica-se entusiasta mesmo assim; a gente se dá todo a Deus Nosso Senhor para seguir a sua vontade presente, até o dia, próximo ou remoto, em que uma nova senha nos for dada.


livro: A formação da donzela- padre José Baeteman
Parte V

A vocação da donzela
Capítulo I

Em Jesus e Maria,
Débora Cristina

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A vocação da donzela - parte 4




4° Pode-se passar sucessivamente por desejos diferentes?

De cem moças piedosas que amam a Deus e que se acotovelam com religiosas, haverá bem umas noventa e nove que, em certas horas, acreditam ouvir o chamado de Deus para uma vida mais perfeita. Pela sua natureza entusiasta, por causa das múltiplas influências de um círculo familiar onde essa vocação era acatada, essas jovens almas lançaram-se de chofre para as alturas a que a sua pureza as atraía; e ei-las sonhando, umas com o cuidado dos pobres, com as missões longínquas, outras com o claustro e com todo o seu cortejo de sacrifícios e renúncias.

Não raro a imaginação entra por muito nessas aspirações da juventude. Os sentimentos mais verdadeiros, mais belos, mais fortes germinam tão depressa numa alma pura que deixa Deus governá-la!

Dia virá, entretanto, em que elas perceberão que tudo isso não passava de um sonho, e os contornos precisos de outra vocação mais verdadeira se lhes desenharão pouco a pouco na alma. Então uma angústia virá confranger-lhes o coração! Por que foi que Deus me mostrou esses alcantis, se não quer que eu os galgue? Por que foi que eu senti um primeiro atrativo, e agora sinto outro? Por que é que todos esses sentimentos tão nobres, tão generosos, tornam a cair como nuvens de pó que o vento levanta numa estrada larga?

Talvez seja por haver Deus querido atrair-vos a Ele de maneira mais íntima e mais terna. Ele vos colocou em face de um ideal para vos elevar, para vos enformar a alma e para vos impedir de ficardes vulgar.

Deixando essa alma tender a um fim especial que não é o seu, Deus fê-la demandar a meta geral de toda vida santa. Mais tarde, quando Ele afastar o objetivo colimado, para lhe mostrar outro, lá estará, ajudando essa passagem difícil e velando para que esses aperfeiçoamentos adquiridos, em vez de se esboroarem, sejam utilizados. Nisso, Deus não enganou essa alma. Não era a voz dEle que lhe murmurava aos ouvidos essas palavras mágicas: vida religiosa, doação total, imolação; Ele as deixava simplesmente sair, como vozes amigas, de todas as velas coisas que falam à nossa alma, de todos os nossos próprios sentimentos, que assim exprimiam o seu generoso ardor ( Prática progessiva, p. 280 ).

Sim, Deus permite esses vôos ingênuos, esses ardores primaveris, esses desejos vibrantes, para vos garantir contra vós mesma, contra o mundo e contra uma certa pressa natural que não seria conforme a Ele.

Permite-as para vos conservar em esferas mais elevadas e mais puras, para vos forçar a uma preparação a que, não fora isso, não pensaríeis em recorrer, enfim para vos enriquecer de merecimentos e de graças. E, chegado o dia de fixardes a vossa escolha, sentir-vos-eis mais forte, apesar de algumas desilusões, porque vos tereis aproximado mais de Deus.

livro: A formação da donzela- padre José Baeteman
Parte V

A vocação da donzela
Capítulo I

Em Jesus e Maria,
Débora Cristina

domingo, 28 de outubro de 2012

A vocação da donzela - parte 3



3° É pecado não seguir a própria vocação?

a) Geralmente, não. – A vocação não é imposta, mas proposta. Quando Jesus chamou o moço rico, disse-lhe apenas: “Se queres ser perfeito”. Deixou-o, pois livre de aceitar ou de recusar o seu divino convite, de seguí-lo.

Esse é o caso comum, mesmo quando se trata da vocação religiosa. Esta exige os votos de pobreza, de castidade e de obediência. Ora, estas três virtudes são de conselho e não de preceito.

Ninguém é obrigado, sob pena de pecado, a seguir os conselhos evangélicos; só os preceitos se impõem desta maneira imperativa.

De notar é, entretanto, que, agora uma revelação formal, não se pode possuir, a respeito dos desígnios de Deus sobre uma alma, uma certeza que exclua toda a possibilidade de erro, tal como se faria mister para fundamentar uma obrigação estrita. Os indícios de vocação são, comumente, assaz nítidos para que a prudência aconselhe abraçar tal trilha de preferência a tal outra, mas raramente são bastante decisivos para vedar uma outra escolha.

b) Pode, porém, haver grande imprudência. – Quando os sinais de vocação aparecerem bem claros, far-se-ia mal em, por covardia, recuar ante o sacrifício ou por causa das lutas necessárias. Todo o resto da vida corre grande risco de se ressentir da recusa às insinuações divinas.

“A predestinação, diz S. Agostinho, encerra e supõe a união de três graças de que depende a salvação: a do batismo, que a começa, a da vocação, que a continua, a da perseverança, que a remata”.

São esses, pois, como que três elos que formam uma só cadeia misteriosa, e, sendo a vocação o do meio, liga de tal forma os outros dois, que, sem ela, ninguém pode prevalecer-se do primeiro nem prometer o último.

Não seguindo a sua vocação, a pessoa priva-se das graças que Deus prepara para ela. A pessoa será sempre mais ou menos como uma planta desarraigada. Deus poderá diminuir seus dons e fazer sentir à alma infiel que se dói de vê-la recusar seus convites. Ele lhe dissera: “Vem a mim por este caminho que eu te preparo. Nele dar-te-ei graças que te ajudarão poderosamente”. Se ela toma um caminho oposto, arrisca-se a não mais achar a abundância das graças que Deus lhe preparara.

Uma vocação para a perfeição é um “dom de Deus”. Deus não nos força a aceitar todos os seus dons, mas, recusando-os, nós introduzimos em nossa alma uma desordem tal, que o Pe. Graty pôde escrever a respeito: “As almas surdas à sua vocação andam tortamente a vida toda; dir-se-ia que a graça já não chega a elas senão obliquamente, e que Deus, por assim dizer, só opera nelas com mão forçada”.

Não se compromete fatalmente a própria salvação, mas torna-se essa salvação mais difícil. Nesse caso a pessoa se parece com o viajador que, ao invés de ir à sua meta pela grande estrada traçada, segura, conhecida, toma caminhos desviados, compridos, desconhecidos e perigosos.

Todavia, após uma “má rumagem”, não se deve desesperar. A salvação é sempre possível, e a graça de Deus aí está sempre.

c) Certas almas ficam indecisas. – Elas não souberam ou não puderam solucionar de maneira peremptória a questão da sua vocação. Sem descurarem examiná-la, ou mesmo oferecendo-se para isso, obstinaram-se de encontro a uma dúvida que não ousaram esclarecer. A sua recusa, então, não foi formal, a resistência não foi completa, elas acreditaram dever esperar ainda uma luz que não veio, uma decisão que ninguém quis tomar. O tempo que passa fez a sua obra, sobrevieram dificuldades; a inconstância humana meteu-se de permeio e, embora sempre nas trevas da dúvida, essas almas fracas acabaram por escolher uma trilha que não era a sua. No fundo, ficar-lhes-á sempre, quiçá até a morte, um sentimento confuso de certa infidelidade. Mas, não tendo sabido fixar as suas incertezas, essas almas não podem, por isso, ser abandonadas por Deus. Por que então haveriam de desanimar?

Ele lhes não fechou o seu coração, e elas tem muitas maneiras de redimir de forma completa, às vezes até heróica, a falta de vontade e as hesitações de que se não puderam libertar.


livro: A formação da donzela- padre José Baeteman
Parte V

A vocação da donzela
Capítulo I

Em Jesus e Maria,
Débora Cristina

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A vocação da donzela - parte 2



2° A vocação é um chamado de Deus

a) Se Ele chama, tem suas razões. – De toda a eternidade Deus traçou o plano da sua obra de Criador. Como autor da Ordem sobrenatural, orientou esse plano geral para um plano superior em que a nossa salvação acha lugar com seus caminhos e seus meios. E, já que assim é:

- Por que termos medo das dificuldades entrevistas?

- Por que nos deixarmos influenciar por outros que não pelo próprio Deus?

- Por que não nos abandonarmos docemente à sua mão paternal?

- Por que não O deixarmos conduzir-nos para onde Ele quer e como quer?

b) Se Ele chama, dará suas graças. – Toda vocação é acompanhada de luzes e de socorros segundo as dificuldades que comporta. Guardadas as devidas proporções, a vocação é como uma missão confiada a uma criatura. Chamando-a a ela, enviando-a a ela, impelindo-a, Deus deve a si mesmo o conceder-lhe o que lhe é necessário.

c) Se Ele chama, habitualmente indicará a sua vontade. – Atrativos naturais e sobrenaturais serão, as mais das vezes, como que o sinal da sua vontade, Esses atrativos podem muito bem combater, contrariar e mesmo imolar um coração fazendo-o sacrificar as mais legítimas aspirações que a princípio podiam tê-lo seduzido. É certo, com efeito, que a graça não mata a natureza. E eis aí por que foi que custou a Joana d’Arc deixar sua mãe, suas companheiras, sua vida calma e tranqüila. Porém ela soube dizer: “Deus o manda! Ainda quando eu tivesse cem pais e cem mães e fosse filha de rei, partiria mesmo assim!”

d) Se Ele chama, não mudará por si mesmo. – A vocação, às vezes, é uma graça muito grande. Mormente então é a coisa gratuita que não se poderia pretender.

Flor divina, pode ela em certos casos estiolar-se, fenecer na alma; porém não morre sem que o queiramos ou sem que dela nos tornemos positivamente indignos. Um nada, o mais pequeno orvalho, uma oração, uma lágrima bastará para fazê-la reviver; porque Deus não muda, e, se não rejeitarmos os seus dons, não será Ele quem pense em no-los retirar.

livro: A formação da donzela- padre José Baeteman
Parte V

A vocação da donzela
Capítulo I

Em Jesus e Maria,
Débora Cristina

sábado, 20 de outubro de 2012

A vocação da donzela - parte 1








A vocação da donzela


1. O que é a vocação

Neste mundo cada um tem a sua missão a cumprir, e são as mais diversas as condições em que ela se impõe. Para lhe ser fiel, é preciso isso a que se chama a Vocação, que é uma inclinação para uma coisa determinada, e, na ordem sobrenatural, um atrativo produzido pela graça. Com efeito, a vocação (de vocare, chamar) é um convite, um chamado de Deus para servi-lo num estado particular, num gênero de vida ao qual nossos gostos e aptidões nos induzem, e no qual Ele nos propicia socorros especiais para nos ajudar a operar a nossa salvação.

a) A vocação é uma graça, ou, antes, uma série de graças atuais, de iluminações, de inspirações sobrenaturais, sob cuja influência a alma se sente atraída para tal ou tal estado. Se a alma corresponde a essas inspirações, elas se tornam o ponto de partida de toda uma série de socorros destinados a facilitar-lhe a sua missão.

b) Não é uma ordem, mas um chamado, um convite. – É uma estrela que brilha aos nossos olhos, como a dos magos, e que nos mostra o caminho pelo qual Deus deseja enveredemos para chegarmos mais seguramente a Ele.

c) Esse chamado tem lugar de muitas maneiras. Como o Apóstolo no caminho de Damasco, alguns são derrubados para serem mais bem esclarecidos. Porém, as mais das vezes, a vocação é uma voz que, ora doce, ora premente, se faz ouvir à alma como um eco longínquo de Deus que chama.

Há também almas que vivem longo tempo na noite das incertezas, e é tateando na sombra que elas vão em busca da trilha.

d) Nada escapa à solicitude do Criador. A própria vida do inseto é objeto dos seus desvelos, e é Ele quem dirige a marcha do astro nos céus. Sumamente razoável é, pois, que o homem seja por Ele guiado na escolha do caminho que deve seguir. Se Ele declarou no Evangelho que “nem um cabelo da nossa cabeça cai sem a vontade do Pai celeste”, pode deixar criaturas humanas vaguearem à toa sem uma atenção paternal que as conduza à meta que Ele lhes fixou?

Quando um engenheiro quer construir um maquinismo, não produz ao acaso todas as peças da sua máquina; trabalha de acordo com o plano. Prevê com exatidão todos os detalhes, a proporção, o lugar de cada uma. Outro tanto faz Deus pela sua Providência. Todos os homens são peças desse imenso maquinismo que é o mundo humano. Essas peças são feitas para lugares determinados, para missões precisas; cada ser humano tem, pois, a sua vocação especial.

No mundo, não se acredita bastante nesse chamado do alto.

No entanto, como diz soberbamente o Pe. Coubé:

Cada um de nós tem as suas vozes como Joana ‘Arc, cada um de nós tem a sua vocação. Não somente Deus nos fixa um estado de vida em que, para O servir e nos salvar, teremos graças que não acharemos alhures, mas ainda nos encaminha para Ele lentamente, como por acaso. O acaso? E há verdadeiramente acaso na terra? Veja-se um grãozinho carregado pelo vento; onde e quando o deixará o vento cair? Quando parar de soprar, dir-me-eis. Sim, mas ele parará de soprar na hora e no lugar marcado pela Providência, por cima do côncavo de um rochedo, onde o grãozinho achará um pouco de terra, um pouco de Sol para germinar, se Deus quiser que ele se torne flor. Assim também as nossas vidas. Parecem colhidas por um turbilhão, mas é o espírito de amor que passa e que as leva lá para onde as esperam o raio de luz e o orvalho do Céu.

e) A vocação é o nosso negócio capital. – Dela é que pode depender a nossa Eternidade. Sumamente importa, pois, antes de empreender a longa viagem da vida, conhecer a meta e o meio de atingi-la.

livro: A formação da donzela- padre José Baeteman
Parte V

A vocação da donzela
Capítulo I

Em Jesus e Maria,
Débora Cristina

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Santa Teresinha




Por Maria Bastos

A página Tirinhas da Maria fez uma pequena homenagem à querida florzinha de Jesus Santa Teresinha do Menino Jesus. Infelizmente não consegui terminar o desenho mais cedo, mas graças a Deus terminei no mesmo dia. 
Ilustrei uma cena que aconteceu, de fato, na vida de nossa Santinha e que me arrancou risos quando estava lendo História de uma alma, há seis anos. 
Para quem tem o livro, o episódio se encontra na página 68. Confiram lá com mais detalhes. 
Segue abaixo um trechinho do livro que narra a cena.

“Maria e eu tínhamos sempre os mesmos palpites. Os próprios gostos afinavam-se tão harmoniosamente que, certa vez, nossa união de vontade passou da conta. Ao voltarmos uma tarde da Abadia, disse à Maria: ‘Conduze-me, que vou fechar os olhos’. ¬_ ‘Eu também quero fechá-los’, respondeu-me. Dito e feito. Sem discutir, cada qual pôs em obra sua vontade... Estávamos na calçada, não havia o que temer dos veículos. Depois de agradável caminhada de alguns minutos, tendo apreciado o gozo de andar sem ver, as duas estouvadinhas tombaram juntas por cima de umas caixas colocadas à parte de uma loja, por outra, derrubaram-nas. Muito encolerizado, saiu o negociante para levantar a mercadoria. As duas cegas voluntárias se levantaram por si mesmas em boas condições, e corriam a passos largos, com olhos arregalados...”


Em Jesus e Maria,
Débora Cristina

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Por que usar saias abaixo dos joelhos?


Por Maria Bastos

Muitas pessoas, mesmo católicas, não compreendem por que as moças que buscam viver a modéstia no vestir, sempre usam saias somente abaixo dos joelhos, pensam que é um exagero!  Bom, a tirinha abaixo mostra exatamente por que.
No quadro nº 01 vemos que a personagem está vestindo uma saia um pouquinho acima dos joelhos, um pouquinho apenas. Muitos até consideram este tamanho modesto, pois está mostrando praticamente apenas os joelhos.
Pois bem, olhe agora para o quadro Nº02. Quando o personagem senta, a saia imediatamente sobe para se ajustar ao corpo, e isso faz com que as coxas fiquem à mostra. Podemos ainda dizer que essa saia é modesta? Ou que está de bom tamanho? Não duvido que alguém o diga, mas a pessoa que quer viver o pudor e a modéstia com honestidade vai concordar que esta saia está curta sim! E a moça que insistir em vestir saias neste comprimento, deverá ter a consciência de que poderá estar colocando almas em perigo.
Agora no quadro Nº03 vemos que a personagem está vestindo uma saia comportada com o comprimento um pouco abaixo dos joelhos. Além de mais compridinha, ela não é justa, e ao sentar-se, ela não subirá, mas ao contrário, descerá cobrindo ainda mais as pernas (vide quadro Nº04).
Vestida assim, com pudor e modéstia, a moça não colocará a si mesma, nem o próximo em perigo, além de que estará até mais confortável.
Vou encerrar deixando aqui o testemunho de Santa Perpétua narrado pelo Santo Padre Pio XII:
"Lemos na "Passio SS Perpetuae et Felicitatis" - com justiça considerada uma das maiores obras da literatura cristã - que no anfiteatro de Cartago, quando a martir Víbia Perpétua, jogada para o alto por uma vaca selvagem, caiu no chão, seu primeiro pensamento e ação foi arrumar o vestido de modo a cubrir sua coxa porque ela estava mais preocupada com a modéstia do que com a dor." S.S.Pio Xll -

Salve Maria!


Original aqui
Bom, além das tirinhas da Maria leia OS PADRÕES MARIANOS PARA MODÉSTIA E MORALIDADE NO VESTIR 

Em Jesus e Maria,
Débora Cristina

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Vem chegando a primavera!



Salve Maria!

Está chegando a minha estação do ano preferida  =)
Espero conseguir nem que seja um vestido maxi para usar neste período.

Não sei onde vocês moram, mas por aqui venta muito em agosto e setembro, então tem que saber escolher a saia ou vestido para não correr o risco de revelar nosso corpo, penso que os maxi e de tecidos mais firmes são os mais adequados.
Tenho alguns sonhos e projetos para esta etapa:

Estes dois tecidos ganhei de meus pais  =D
O da esquerda pretendo fazer uma saia e o da direita uma blusa.

Este tecido comprei há muito tempo para fazer um vestido longo, mas como estraguei um outro fiquei com medo de cortar esse e estragar também, mas agora que estou fazendo curso de costura pretendo levar para fazer lá =D


Quanto ao modelo do vestido ainda tenho dúvidas, mas eis alguns modelos que vi no Teus Vestidos:


O que acharam da minha listinha, moças?
Vocês também tem algum projeto para a primavera? Eu quero saber quais são, dividam conosco?!


Bom, quando as roupas estiverem prontas venho aqui mostrar a vocês.

Em Jesus e Maria,
Débora Cristina











sábado, 11 de agosto de 2012

Onde comprar um véu?

Salve Maria!

Como sei da dificuldade de algumas moças para comprar seu véu, quero neste post indicar uma opção, trata-se da Carina do blog Servindo por amor: a Deus e à Igreja.

Eis o post do blog dela:


Meninas, boa tarde!! Tudo bem??
Pois é, resolvi dar uma ajudinha pra quem quiser por aqui tbm. Sou de Osasco, na capital de São Paulo, e tbm estou vendendo véus. Na verdade já faço isso por aqui já há algum tempo, porém agora resolvi divulgar pela internet.


Podemos conversar por email, pelo facebook... O que for melhor!


Já recebi inclusive algumas amigas em minha paróquia que encontrei aqui na internet, para conversarmos sobre o véu. Também já fui em outras paróquias falar sobre o assunto, pois desenvolvi uma apostila simples que explica todo o sentido do véu, baseado no Catecismo da igreja. Tenho publicado no meu blog, caso alguém tenha interesse de verificar. É muito frutuoso das essas palestras e ver quanto as mulheres tem mudado sua postura de vida por conta do véu... [fico aqui a disposição para falar sobre o assunto em suas paróquias, com a autorização do seu pároco! =] )


OBS: Todos os véus acompanham uma cópia simples da oração + porta véu



R$ 30 + frete (clique na imagem para ver maior)

R$ 30 + frete (clique na imagem para ver maior)


Email: carinagranger@yahoo.com.br
Osasco/SP

domingo, 15 de julho de 2012

Acusações contra a modéstia



Salve Maria!

Uma das maiores acusações que uma moça tem que enfrentar quando decide ser modesta é a de ser puritana. Trata-se de uma acusação grave, pois o puritanismo é uma heresia e é muito temerário fazer essa acusação a toda moça que decide que não usará mais calças. Tendo dito isso, quero aqui falar sobre essa distinção clara entre o puritanismo e a santa modéstia, vejamos:

Puritanismo

Como já dito o puritanismo é uma heresia. Vejamos o que é por sua vez uma heresia:
Heresia (do latim haerĕsis, por sua vez do grego αρεσις, "escolha" ou "opção") é a doutrina ou linha de pensamento contrária ou diferente de um credo ou sistema de um ou mais credos religiosos que pressuponha(m) um sistema doutrinal organizado ou ortodoxo.

O puritanismo é uma espécie de maniqueísmo. [*]

Em resumo maniqueísmo foi uma heresia que acreditava que existe um “dualismo” no ser humano, que corpo e alma são antagônicos, que a alma está presa em um corpo, então o corpo é algo mau e só o espírito é bom.
Basicamente o que sabemos do “movimento” chamado puritanismo é que é uma espécie de maniqueísmo. O puritanismo que vigorou no século XIX, onde existia um cuidado excessivo em se vestir cobrindo todo o corpo. E faziam isso, não por pudor ou modéstia ou para preservar o valor do corpo, mas por que eles tinham medo do corpo, o corpo era visto como algo mau.

Agora vejamos o que prega a santa modéstia:

O que é modéstia?

“Observando a modéstia, edificamos sumamente os outros e os estimulamos à prática da virtude.” (Santo Afonso de Ligório, Tratado da Castidade.)
Apresentamos, sobre a forma de perguntas e respostas, algumas questões relacionadas à virtude da modéstia:
1 – O que é a modéstia?
A modéstia é uma virtude anexa à temperança, e diz respeito a todas as ações exteriores, e – mais especificamente – a maneira e o recato na hora de se vestir.(1)
2 – O que se entende por “ações exteriores”?
São os gestos, tom de voz, palavras e toda a maneira de nos expressarmos quando conversamos, nossas atitudes em geral, os divertimentos e entretenimentos que escolhemos.(2) A modéstia nas ações exteriores significa ser calmo e comedido, saber portar-se em público, ter reservas em se mostrar demasiadamente. A modéstia, portanto, refreia o desejo imoderado de destacar-se perante os outros.
3 – Então a modéstia também envolve os atos relacionados com os jogos, diversões e recreações em geral?
Sim, neste caso toma a virtude o nome de eutrapélia, ou virtude que preside as diversões e aos recreios, evitando que se peque seja por excesso, seja por defeito.(3)
4 – O que se entende por “maneira e recato na hora de se vestir”?
Entende-se explicitamente a roupa que vestimos e nossas escolhas perante a moda de nossa época. O recato diz respeito àquilo que deve estar coberto: são as partes de nosso corpo que devemos proteger, não deixando à mostra para que sirvam de deleite e ocasião de pecado para o próximo. As mulheres, especialmente, podem chamar uma atenção equivocada ou mesmo imoral para si mesmas – através de um vestuário revelador ou insinuante. A modéstia no vestir pressupõe um respeito ao pudor(4): reconhece o corpo como Templo do Espírito Santo, e por isso deixa-o velado segundo as normas cristãs.
5 – Que prescreve a modéstia no que toca a maneira de vestir?
Segundo Santo Tomás de Aquino, não se deve ter afeição a vestidos ou roupas luxuosas, nem tampouco ostentar um vestuário pobre e desalinhado.(5) Isso diz respeito, sobretudo, a classe social a que pertence a pessoa que escolhe determinado tipo de roupa: cada qual vista-se de acordo com a posição e estado que ocupa.
6 – O que seria um vestuário “decente”?
A decência dos trajes – como observou São Francisco de Sales – “no tocante a matéria e as formas só se pode determinar com relação as circunstâncias do tempo, da época, do estado e das vocações [seja a pessoa casada, solteira, religiosa ou consagrada]”.(6) Isto significa que não há uma forma única para uma igualmente única peça decente no mundo. As roupas, modelos e materiais de que são feitos podem e de fato variam; todas as épocas passaram por transformações no que diz respeito ao vestuário, e ora os vestidos tinham determinado volume e forma, ora tinham outro.
7 – Então uma roupa é considerada decente apenas de acordo com os padrões da moda atual?
Não, pois é fato que os padrões da moda atual podem estar em total desacordo com a moral católica. É preciso escolher, dentro do que a moda contemporânea produz, aquilo que seja mais digno e esteja de pleno acordo com a doutrina moral da Igreja.
8 – O que diz a doutrina moral da Igreja sobre o assunto? Até quanto é permitido mostrar do nosso corpo?
Segundo a moral católica, nosso corpo é dividido em partes honestas, semi-honestas e desonestas. As partes desonestas são as partes íntimas e regiões vizinhas. As semi-honestas ou menos honestas são os seios, braços, flancos. As partes honestas são as mãos, os pés e o rosto.(7) A Igreja – através dos Papas, dos santos e de seus membros mais dignos – tem insistido para que o vestuário cubra tantos as partes desonestas, quanto as semi-honestas do corpo.(8)
9 – Então se uma roupa não cobre as partes desonestas e semi-honestas do corpo, ela é indecente?
Revelar as partes desonestas do corpo – deliberadamente, de maneira total ou parcial – é matéria grave. Quanto às partes semi-honestas, é matéria menos grave. Há uma tolerância para se mostrar os braços, enquanto se considera indecente a mulher revelar os seios.(9) Uma blusa corre menos risco de revelar os seios se tem alguma manga (protege as laterais) e se o decote não é muito baixo. Da mesma forma, uma saia que cubra os joelhos terá menos risco de revelar as partes desonestas da mulher do que uma mais curta (levando em consideração que a mulher se movimenta muitas vezes durante o dia, sentando-se e levantando, de maneira que pode revelar alguma coisa).
10 – A mulher pode usar maquiagem e outros adornos?
É permitido à mulher casada ou com intenção de casamento usar certos adornos, desde que isto seja feito de maneira honesta e moderada. Por isso, entende-se que tanto a maquiagem, quanto os enfeites são permitidos – desde que observe estas recomendações.(10)


Bom, quero concluir este texto deixando uma palavra de consolo às moças que deixaram as calças e aquelas que pretendem deixar: não desista. Você com certeza será atacada ao tomar essa decisão, pois existe uma inimizade entre satanás e a Mulher (sim, com letra maiúscula a Santíssima Virgem), quando o inimigo de Deus vê que você quer imitar Nossa Senhora ele não vai ficar parado de braços cruzados e vai usar de tudo para te impedir de prosseguir neste caminho... É importante ter essa convicção de que é imodesto usar calça e de que o modesto é uma saia abaixo do joelho de acordo com as OS PADRÕES MARIANOS PARA MODÉSTIA E MORALIDADE NO VESTIR, pois se você não tem essa convicção é fácil voltar atrás e quando for atacada irá cair facilmente, sei de casos de moças que largaram as calças, mas quando veio o desânimo e a solidão simplesmente desistiram, é muito triste, mas acho que isso acontece por falta de convicção mesmo, de certeza de que deixamos a calça para imitar Nossa Rainha e que queremos parar de ofender a Nosso Senhor!
Este post sobre as “acusações contra a modéstia” na verdade é um alerta às moças que querem a modéstia, pois muitas vezes somos atacadas e isso pode abalar nossa confiança na importância de ser modesta... Aqui falei apenas da acusação de puritanismo, mas existem tantas acusações, mas sabemos quem é o acusador!
Supliquemos o Auxílio da Mãe de Deus, que Ela venha em nosso socorro e nos ajude a perseverar na modéstia!
***
NOTAS
(1) A Suma Teológica de Santo Tomaz de Aquino em forma de Catecismo.  Autor: Padre Tomaz Pègues, O.P.
(2) A Suma Teológica de Santo Tomaz de Aquino em forma de Catecismo. Autor: Padre Tomaz Pègues, O.P.
(3) A Suma Teológica de Santo Tomaz de Aquino em forma de Catecismo.  Autor: Padre Tomaz Pègues, O.P.
(4) Catecismo da Igreja Católica, Edição Típica Vaticana, 2000.
(5) A Suma Teológica de Santo Tomaz de Aquino em forma de Catecismo. Autor: R. P. Tomaz Pègues, O.P.
(6) Filotéia (ou Introdução à Vida Devota). Autor: São Francisco de Sales.
(7) Compêndio de Teologia Moral. Autor: Padre Teodoro da Torre Del Grecco.
(8) Eis as palavras do Cardeal Basilio Pompili (Cardeal-Vigário do Papa XI), em orientação datada de 24 de setembro de 1928: “… um vestido não pode ser considerado decente se ele tem um corte mais fundo que dois dedos abaixo da cova da garganta, o qual não cobre os braços pelo menos até os cotovelos e chega até um pouco abaixo do joelho. Além disso, vestidos com material transparente são impróprios.”
(9) Esta tolerância foi concedida através do Padre Bernard Kunkel, fundador da Marylike Crusade – Cruzada Mariana em prol da castidade e modéstia por meio de imitação da Santíssima Virgem. Cremos ser esta concessão da mais inteira confiança, visto que o Papa Pio XII deu a benção papal ao apostolado do Pe. Kunkel em duas diferentes ocasiões e seus estatutos foram aprovados pela autoridade eclesiástica vaticana – incluindo esta concessão.
(10) Suma Teológica. Autor: Santo Tomás de Aquino.

[*] O nome maniqueísmo provém do fundador, Mani, natural da Babilônia. Por parte do pai, Patek, pertencia à família real dos Arsácidas, na Pérsia. Mani nasceu a 14 de abril de 216. Julga-se que o pai tenha pertencido a uma seita encralita cujos membros já se chamavam os puros e vestiam roupas brancas. Não há dúvida de que Mani, desde a juventude, tenha sido educado em idéias de busca ansiosa da pureza, pro meio da fuga à matéria, considerada fonte de todo o mal e de toda a impureza. Mas, já muito cedo, Mani se julgou chamado a missão profética. Sua doutrina repousa no conceito de um profetismo divino contínuo. Identifica-se com o Paráclito. Com isso se põe em atmosfera cristã, mas fora do cristianismo ortodoxo. Hauria a doutrina de quatro fontes diferentes: a antiga religião naturista da Babilônia, a religião de Zaratrustra ou parsismo, o Budismo quanto à moral e ascetismo, o cristianismo alimentado mais por apócrifos  do que pelos Evangelhos autênticos. Em resumo, Mani é uma espécie de Maomé antecipado, um Maomé sem êxitos.
Como ponto de partida: o dualismo, duplo princípio eterno, o do bem e do mal. Travou-se a luta entre o homem primitivo que Deus criara bom e Satã, príncipe das trevas. O homem traz em si os traços da queda, e a mulher mais ainda. O dualismo, em nós, é a luta da carne contra o espírito. Para nos salvar, Jesus revestiu um corpo aparente (docetismo). A salvação consiste em libertar as parcelas de luz perdidas nas trevas do corpo. Nem todos chegam igualmente a essa libertação. Os discípulos perfeitos de Mani são os que observam os três selos: selo da boca (abstinência perpétua de vinho, carne, e qualquer palavra impura); selo do ventre (continência absoluta); selo da mão (aversão a qualquer trabalho servil). Os que aplicam esse programa são os eleitos. Os discípulos inferiores são chamados auditores. Quando moço, Agostinho foi um deles, mas nunca superou esse grau.
(...) O maniqueísmo inicial continua visível entre este hereges. Mas, pelo caminho, o maniqueísmo assimilou elementos novos: anticlericalismo, antimilitarismo, anarquia, comunismo. A distinção entre eleitos ou perfeitos e simples crentes ou auditores era básica na organização da seita. Os perfeitos praticavam um ascetismo rigoroso que impressionava muito o povo. Uma senhora da nobreza do languedoc contava que fora ver um desses perfeitos: “Pareceu-lhe, dizia, a mais estranha maravilha. Há muito que estava sentado numa cadeira, imóvel como um tronco de árvore, insensível a tudo o que o rodeava”.  Os perfeitos tinham horror pelo casamento que perpetua a vida terrestre, essa ilusão satânica. Praticavam abstinência absoluta e exortavam os crentes a não se casarem. Condenavam também o juramento e o serviço militar. Os perfeitos consideravam o suicídio como o ideal de santidade. Abriam as veias para morrer no banho ou tomavam veneno. Mas o modo mais espalhado de suicido era o sofrimento, isto é, deixar-se morrer de fome. Para entrar no estado de perfeição, os eleitos recebiam uma espécie de batismo espiritual – pois a água é maldita como toda a matéria – chamado consolamentum. Os simples crentes não tinham outra obrigação senão adorar os eleitos e alimentá-los. Com isso podiam viver como quisessem. Também recebiam o consolamentum, mas só no leito de morte, quando não houvesse nenhuma esperança de melhora. E para evitar qualquer perigo de retorno à saúde, colocavam-nos ou se colocavam no regímen de sofrimento, fazendo greve de fome, para não perderem o fruto da regeneração.
Tal doutrina era tão contrária à religião cristã e á sociedade por ela criada, tão contrária à civilização formada pelo cristianismo, que não é de estranhar a luta ardente que se armou contra ela. A parte católica a combateu com caridade e zelo muito apostólicos. São Bernardo, em muitas ocasiões, pregara contra os Cátaros.  

(página 55, Breve histórico das heresias – Monsenhor Cristiani, prelado da Santa Sé. Livro disponível para download no blog Alexandria Católica-livros católicos para download , clique aqui e baixe )

O que é a modéstia foi retirado do site Maria Santíssima e Modéstia

Em Jesus e Maria, 
Débora Maria Cristina

sábado, 30 de junho de 2012

Tirinha da Maria- Por enquanto seis

Por Maria Bastos


É agradável saber, que mesmo nos dias de hoje, temos casais tão generosos que não têm medo de dar filhos pra Deus.
Por outro lado, é lamentável ver quantos casais sonham em ter filhos e não podem, enquanto tantos outros, mesmo jovens e saudáveis, se limitam a ter apenas um ou dois filhos, no máximo três. Muitos alegam que são pobres e não podem sustentar tantos filhos. Sendo assim, não acreditam na Providência Divina, mas apenas em suas próprias fraquezas.
Todos os personagens dessa tirinha existem com exceção da moça reclamona que não quer mais de três filhos.
Essa tirinha é uma homenagem ao casal Tania Cristina e Jony Ogawa que formaram um belo jardim de seis lindas flores!
Deus os abençoe e abençoe a todos os casais generosos!
Que Nossa Senhora conceda filhos aos que tanto esperam.
Salve Maria!








Em Jesus e Maria,
Débora Cristina
 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Oração pelo futuro marido (2)


Salve Maria!

No dia 25 de maio eu soube da Novena do Rosário de 54 dias no blog The catholic young woman e a indiquei aqui no blog, mas na ocasião eu não falei sobre a origem dessa novena, até por que eu também não sabia, apenas tinha achado interessante a idéia e resolvi dividir com os queridos leitores.



Novena do Rosário de 54 dias

A "Novena do Rosário de 54 dias" é uma ininterrupta série de Rosários em honra de Nossa Senhora, revelada à doente incurável Fortuna Agrelli, por Nossa Senhora de Pompéia, em Nápoles, Itália, no ano de 1884. Por 13 meses Fortuna Agrelli sofria de terríveis dores e nem mesmo os médicos mais célebres conseguiam curá-la. Em 16 de Fevereiro de 1884, a menina e seus pais começaram uma novena do Rosário. A Rainha do Santo Rosário a premiou com uma aparição a 3 de Março. Maria sentava-se sobre um alto trono, contornado por numerosas figuras; trazia o Seu Divino Filho sobre o colo e na mão um Rosário. Nossa Senhora e o Menino Jesus estavam acompanhados por São Domingos e Santa Catarina de Sena. O trono estava decorado com flores, a beleza de Nossa Senhora era maravilhosa. A Santa Virgem disse:

"Filha, você me invocou com vários títulos e sempre obteve favores de mim. Agora, posto que me invocou com o título que muito me agrada, 'Rainha do Santo Rosário', não posso mais recusar o favor que você me pede; porque este nome é o mais precioso e querido por mim. Faça três novenas e você obterá tudo".

Mais uma vez Nossa Senhora lhe apareceu e disse:

"Qualquer um que deseja obter favores de mim deveria fazer três novenas da oração do Rosário e três novenas em agradecimento".

A novena consiste em um Rosário todos os dias, durante 27 dias em súplica e em seguida um Rosário todos os dias durante 27 dias em agradecimento, mesmo que não tenha respostas visíveis.
Não tem uma data fixa para iniciar a novena, aqui no blog eu sugeri a mesma data que sugeriram no blog The Catholic young woman, mas você pode começar em qualquer outra data =D

Espero que tenha respondido a sua pergunta, Maria Eliane =)

Em Jesus e Maria,
Débora Cristina

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Oração pelo futuro marido

54 dias de Rosário novena



Salve Maria!

No dia 26 de maio iniciamos a novena de 54 dias pelos nossos futuros maridos, pois bem, hoje é o último dia dos rosários em súplica, amanhã começa os 27 dias dos Rosários em ação de graças, mesmo que não tenhamos respostas visíveis,  =)

Em Jesus e Maria,
Débora Maria Cristina!

Orações de São Luiz Gonzaga


Todas as orações a São Luiz Gonzaga foram retiradas do livro de São Luiz Gonzaga que pode ser baixado no blog Alexandria católica.

Neste dia que comemoramos o santo Padroeiro do blog, recomendo a leitura do texto escrito por minha amiga Nívea do aalegriadaminhajuventude, clique aqui e boa leitura  =)

São Luiz Gonzaga, rogai por nós!


Em Jesus e Maria,
Débora Cristina

Carta de São Luiz Gonzaga à sua mãe


"Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor Ilustríssima senhora, peço que recebas a graça do Espírito Santo e a sua perpétua consolação. Quando recebi a tua carta, ainda me encontrava nesta região dos mortos. Mas agora, espero ir em breve louvar a Deus para sempre na terra dos vivos. Pensava mesmo que a esta hora já teria dado esse passo. Se é caridade, como diz São Paulo, chorar com os que choram e alegrar-se com os que se alegram (cf. Rm 12,15), é preciso, mãe ilustríssima, que te alegres profundamente porque, por teus méritos, Deus me chama à verdadeira felicidade e me dá a certeza de jamais me afastar do seu temor. 

Na verdade, ilustríssima senhora, confesso-te que me perco e arrebato quando considero, na sua profundeza, a bondade divina. Ela é semelhante a um mar sem fundo nem limites, que me chama ao descanso eterno por um tão breve e pequeno trabalho; que me convida e chama ao céu para aí me dar àquele bem supremo que tão negligentemente procurei, e me promete o fruto daquelas lágrimas que tão parcamente derramei. Por conseguinte, ilustríssima senhora, considera bem e toma cuidado em não ofender a infinita bondade de Deus. Isto aconteceria se chorasses como morto aquele que vai viver perante a face de Deus e que, com sua intercessão, poderá auxiliar-te incomparavelmente mais do que nesta vida. 

Esta separação não será longa; no Céu nos tornar-nos-emos a ver. Lá, unidos ao Autor da nossa salvação, estaremos repletos das alegrias imortais, louvando-O com todas as forças da nossa alma e cantando eternamente as Suas misericórdias. Se Deus toma de nós aquilo que tinha emprestado, assim procede com a única intenção de colocá-lo num lugar mais seguro e fora de perigo, e de nos dar aqueles bens que desejamos dele receber. Disse tudo isto, ilustríssima senhora, para ceder ao desejo que tenho de que tu e toda a minha família considereis a minha partida como um feliz benefício. Que a tua bênção materna me acompanhe na travessia deste mar, até alcançar a margem onde estão todas as minhas esperanças. Escrevo isto com alegria para dar-te a conhecer que nada me é bastante para manifestar com mais evidência o amor e a reverência que te devo, como um filho à sua mãe."

Original aqui

Agradeço ao Tiago Martins do blog Mater Dei por ter me enviado o link.

Em Jesus e Maria, 
Débora Maria Cristina